domingo, 12 de outubro de 2025

Educação Ambiental Crítica e as Dimensões da Educação: Uma Análise Sociopedagógica e Socioambiental

AUTOR:  Dr. Bread Soares Estevam*

Resumo

Análise das intersecções entre a Educação Ambiental Crítica (EAC) e as dimensões formal, informal e não-formal da educação. Fundamentação nos pressupostos de autores como Paulo Freire e Carlos Frederico Loureiro. EAC como abordagem que transcende a mera transmissão de informações, contribuindo para a formação omnilateral em diferentes contextos educativos.

Argumento central: a compreensão dessas dimensões é crucial para o desenvolvimento de práticas pedagógicas que promovam a transformação socioambiental e a emancipação dos sujeitos. 

Metodologia: pesquisa bibliográfica para sintetizar contribuições teóricas.

Palavras-chave: Educação Ambiental Crítica; Educação Formal; Educação Informal; Educação Não-Formal; Paulo Freire; Transformação Socioambiental.

1. Introdução Contextualização da Educação Ambiental (EA) como campo fundamental para desafios socioambientais.

Diferenciação da Educação Ambiental Crítica (EAC) como abordagem que busca compreender as raízes históricas, políticas, econômicas e culturais da crise ambiental.

Objetivo do artigo: explorar as relações e intersecções entre a EAC e as dimensões formal, informal e não-formal da educação.

Relevância do estudo: qualificar as práticas educativas ambientais, alinhando-as a um projeto de sociedade mais justa e ecologicamente equilibrada.

2. Educação Ambiental Crítica: Fundamentos e Perspetivas

Distinção da EAC de outras abordagens, fundamentada em teorias sociais críticas (pedagogia de Paulo Freire, ecologia política).

A crise ambiental como reflexo de relações de poder, desigualdades sociais e modelos de desenvolvimento insustentáveis.

Paulo Freire: Referência central para a EAC, pedagogia da libertação, problematização da realidade, consciência crítica, perspetiva dos oprimidos, participação social e engajamento ambiental.

Carlos Frederico Loureiro: Contribuições para a EAC, questionamento das estruturas sociais e econômicas, emancipação e cidadania planetária.

Gustavo Ferreira da Costa Lima: Contexto histórico e teórico da EA brasileira, ecologia política e pensamento complexo.

3. As Dimensões da Educação: Formal, Informal e Não-Formal

Importância da compreensão das diferentes dimensões da educação para estratégias pedagógicas. Apresentação de uma tabela comparativa das três dimensões (baseado em Gohn, 2006, citado por Cascais e Terán):

Educação Formal: Características (institucionalizada, currículo, organizada, hierárquica, sistemática), Contexto (escolas, universidades), Objetivos (ensino de conteúdos, preparação para sociedade), Resultados (aprendizagem, titulação).

Educação Informal: Características (espontânea, não organizada, socialização, experiências de vida), Contexto (família, bairro, amigos, mídias), Objetivos (socialização, hábitos, atitudes, valores, cultura), Resultados (senso comum, identidade).

Educação Não-Formal: Características (organizada, intencional, fora do sistema escolar, objetivos específicos), Contexto (museus, centros culturais, ONGs, projetos comunitários), Objetivos (compartilhamento de experiências, conhecimento do mundo, relações sociais, construção identitária), Resultados (desenvolvimento de processos, complementa a formal).

4. A Educação Ambiental Crítica nas Dimensões da Educação

A integração da EAC nas dimensões para uma abordagem holística e transformadora.

Oportunidades únicas de cada dimensão para consciência e ação socioambiental crítica.

4.1. Educação Ambiental Crítica na Educação Formal

Além da inclusão de temas: revisão crítica de conteúdos e metodologias.

Questionamento das causas estruturais dos problemas ambientais e modelos de desenvolvimento. Transversalidade e interdisciplinaridade (história, geografia, ciências, sociologia).

Incentivo ao debate, pesquisa e participação ativa dos estudantes.

Superação da visão tecnicista e adaptacionista da EA.

4.2. Educação Ambiental Crítica na Educação Informal

Campo fértil para a EAC devido à natureza espontânea e contínua.

Desconstrução de mitos e visões simplistas sobre a natureza.

Reflexão crítica sobre consumo, relação com recursos naturais, responsabilidades individuais e coletivas.

Papel da família e comunidade na transmissão de saberes tradicionais e práticas sustentáveis. 

Questionamento de desigualdades e injustiças socioambientais no cotidiano.

4.3. Educação Ambiental Crítica na Educação Não-Formal

Espaço privilegiado para a EAC (atividades organizadas e intencionais fora do sistema escolar). 

Desenvolvimento de programas educativos que promovam participação ativa, diálogo e construção coletiva de soluções.

Aprofundamento da compreensão das questões socioambientais.

Estímulo à organização comunitária e fortalecimento da capacidade de intervenção.

Troca de experiências e construção de conhecimentos a partir da vivência dos participantes.

5. Considerações Finais

A EAC, ao integrar-se nas dimensões da educação, oferece um caminho robusto para a formação de sujeitos conscientes, críticos e engajados.

Superação de uma EA meramente informativa para uma abordagem que problematize as estruturas de poder e desigualdades.

Reafirmação da importância de uma práxis educativa que reconheça a interdependência entre as dimensões da educação e a necessidade de questionar as bases da crise ambiental.

Formação de cidadãos capazes de "compreender o mundo" e atuar de forma transformadora, promovendo a emancipação humana e socioambiental.

Acesse o texto completo no link a seguir: Artigo Completo


*Mestre e Doutor pelo Programa de Pós-Graduação em Educação Ambiental (Área: Educação; Grande Área: Ciências Humanas) da Universidade Federal do Rio Grande; Especialista em Educação Ambiental; Licenciado em Pedagogia; Bacharel e Licenciado em História; Tecnólogo em Educação Social; Estudante do curso de Especialização Latu Sensu em Educação Especial e Inclusiva na Uninter | Historiador com registro profissional no Ministério da Economia; Pedagogo com inscrição no Conselho Federal de Educadores e Pedagogos; Pesquisador de temáticas transversais relacionadas à Educação Ambiental (Área: Educação; Grande Área: Ciências Humanas).

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