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quarta-feira, 16 de junho de 2021

Atividade Domiciliar: aula 6

Fonte: História.doc, 7º ano / Ronaldo Vainfas... [et. al.]. 2. Ed. – São Paulo: Saraiva, 2018.

Capítulo 6: Renascimento e Humanismo

Texto 1: Leonardo, um sábio do Renascimento

Leonardo da Vinci, considerado um dos maiores gênios da história, era de origem humilde. Nasceu em 1452, na província italiana da Toscana. Fruto de um amor casual, Leonardo era filho de um escrivão, Piero da Vinci, e de uma camponesa chamada Catarina. Desde criança, Leonardo trabalhou como aprendiz de pintor, o que despertou seu talento artístico. Estudou Artes e Ciência por conta própria e suas primeiras obras datam de 1469, quando ainda tinha 17 anos de idade. Dez anos depois já era um artista de renome. Vivia de sua arte, pintando retratos encomendados por nobres e comerciantes de Florença e Milão, além de vender quadros com temas religiosos para a Igreja.

O artista e o cientista: Leonardo da Vinci também se dedicou à Ciência. O estudo da anatomia serviu de base para suas representações artísticas relacionadas ao corpo humano. Dissecou cadáveres para entender a relação entre os feixes musculares e os movimentos do corpo humano e, com isso, tornou mais realista as cenas e pessoas retratadas. Leonardo também buscava relacionar a anatomia humana com a matemática. Por isso, aprofundou-se no estudo da Geometria, preocupado com a proporção das formas. Sua versão do homem vitruviano tornou-se famosa. Nesse desenho, a representação do corpo humano está inserida em duas figuras geométricas: um círculo e um retângulo. É um exemplo de como Leonardo valorizava a proporção entre cabeça, tronco e membros, bem como os ângulos formados pelo movimento de pernas e braços. A vocação científica de Leonardo não se revela apenas em sua arte. Ele se dedicou a projetos que só se realizaram plenamente além de sua época, como os desenhos de planadores que fez observando o voo dos pássaros. Leonardo chamou seu planador de omitóptero – uma aeronave capaz de alçar voo batendo as asas, como um pássaro. É por isso que muitos o consideram um dos percursores da aeronáutica, e ele é citado em muitos livros sobre a história da aviação. Leonardo da Vinci é exemplo completo de um sábio do Renascimento: um homem com a mente aberta, dedicado a conhecimentos sem fronteiras. Matemática, anatomia, música, pintura eram vistas em perfeita harmonia.


Texto 2: Características da pintura renascentista

A pintura de Leonardo da Vinci oferece um grande exemplo de como os artistas do Renascimento revolucionaram a arte no Ocidente. Na época do Renascimento, as ideias circulavam bastante. Os artistas se conheciam, e conheciam as obras uns dos outros. Trocavam ideias sobre técnicas artísticas, estilo e materiais. As duas principais características da arte renascentista foram: estilo clássico greco-romano – os artistas do Renascimento adotaram os critérios de beleza da cultura greco-romana. Por esse motivo, havia um especial cuidado em representar a anatomia humana nos quadros e nas esculturas; perspectiva na pintura – os pintores renascentistas desenvolveram estudos e técnicos para representar os temas de suas obras em três dimensões, ou seja, em perspectiva.

Diferenças entre a pintura medieval e a renascentista: Os critérios da arte renascentista eram diferentes daqueles que orientam a arte medieval. As pinturas românicas do século XI, por exemplo, não representam cenas em três dimensões. A Batalha de Hastings é um exemplo. A obra representava o movimento de uma luta, com todos os eventos em um só plano. Com essa representação não é possível distinguir o que está à frente do que está no fundo da mesma cena. As diferenças entre as obras do Renascimento e as obras da Idade Média não surgiram imediatamente. Os pintores italianos começaram a adotar novos critérios antes mesmo de surgir o Renascimento. Giotto, por exemplo, considerado pré-renascentista, já desenvolvia técnicas de perspectiva em suas pinturas no início do século XIV.

Texto 3: Michelangelo, outro mestre da arte

Outro importante mestre do Renascimento foi Michelangelo, nascido em 1475 na pequena vila de Caprese, região da Toscana. Seu pai, Ludovico, era um funcionário municipal de duas vilas próximas a Florença. Logo percebeu o talento de seu filho para as artes e o enviou a Florença, para estudar com outros artistas. Michelangelo pintou seu primeiro quadro com apenas 13 anos de idade. Alguns anos depois, já era tido como um mestre de renome tanto na pintura quanto na arte de esculpir. Em 1499, ele foi convidado pela Igreja católica para fazer uma escultura da Virgem Maria com Jesus Cristo morto em seus braços. Esculpida em mármore, a obra se chamou Pietá (Piedade).

O artista e sua obra: Os temas religiosos foram muito frequentes nas obras de Michelangelo. Encomendadas pela Igreja católica ou pelas autoridades de Florença, muitas obras retratavam passagens ou personagens bíblicos, tanto do Antigo como do Novo Testamento. Uma das obras mais belas de Michelangelo é o teto da Capela Sistina. Encomendados pelo papa, os afrescos do teto da capela representam a narrativa cristã da história do mundo desde a sua criação até o Juízo Final, ilustrando passagens bíblicas. Michelangelo começou a obra em 1508 e só a terminou em 1541. Fez questão de trabalhar sozinho porque não queria que ninguém visse os afrescos antes de concluídos. As obras de Michelangelo não retratavam somente temas cristãos. Assim como Leonardo da Vinci e muitos artistas daquela época, Michelangelo fora muito influenciado pelas noções de beleza e de arte da Antiguidade clássica. Assim, também pintou esculpiu deuses da mitologia greco-romana, celebrando temas pagãos.

Texto 4: A Alma do Renascimento

A expressão Renascimento, utilizada para referir à renovação artística ocorrida nas cidades italianas a partir do século XV, foi criada pelo italiano Giorgi Vasari, considerado o primeiro historiador da arte ao escrever a biografia de artistas da Antiguidade greco-romana havia entrado em decadência durante a Idade Média, mas renascido no século XV. Já vimos, porém, que o Renascimento não se limitou às artes, estimulando também a experiência científica e revolucionando a maneira de ver e de pensar sobre o mundo na Europa ocidental. Durante o Renascimento, as artes e as ciências deixaram de ser produzidas apenas pela Igreja católica, o que promoveu a difusão de uma cultura laica, isto é, desvinculada da religião e do clero.

O Renascimento é definido por muitos historiadores como uma grande revolução artística na Europa Ocidental. Porém, o movimento foi muito além das artes. Na época renascentista houve muitos avanços na ciência e muitas mudanças nas ideias e na maneira de pensar o mundo. Muitos pensadores passaram a observar e a estudar os astros e planetas. Desafiaram a ideia religiosa e amplamente aceita de que a Terra era o centro do Universo. Outros defenderam a liberdade de consciência, a liberdade de pensar por si próprio, como o valor mais importante do ser humano. Mas foi nas artes, sem dúvida, que as mudanças proporcionadas pela modernidade ficaram mais evidentes. Retomaram temas clássicos, principalmente aqueles ligados à Antiguidade greco-romana. No século XVI, os artistas do Renascimento fizeram uma verdadeira revolução na pintura e na escultura do mundo ocidental.

Texto 5: Humanismo do Renascimento

O período do Renascimento foi marcado pelo despertar de uma nova visão de mundo, conhecida como Humanismo, que valorizava a capacidade criadora do ser humano a partir de sua sensibilidade e do seu pensamento. Por essa razão, muitos definem o Humanismo renascentista como antropocentrismo. Era o contrário do teocentrismo medieval. Apesar de serem humanistas, os renascentistas não duvidavam dos princípios bíblicos nem da existência de Deus. A própria Igreja foi uma das grandes patrocinadoras dos artistas renascentistas, contratados para pintar ou esculpir cenas bíblicas. Durante o Renascimento a valorização dos indivíduos enquanto seres racionais, capazes de criar e descobrir os mistérios da natureza, dos seres vivos e do próprio Universo, e não só como criaturas de Deus, foi estimulada. Quando a Igreja católica percebeu o impacto que o Renascimento tinha provocado na cultura europeia, passou a se preocupar. Mesmo que muitos artistas celebravam temas e valores cristãos em suas obras, certas ideias divulgadas nos livros começaram a incomodar. Era tempo de intolerância religiosa.

Erasmo e a loucura: O principal escritor humanista foi o holandês Erasmo de Roterdã. Embora sempre tinha sido leal ao papa, escreveu muitos livros no século XVI criticando a Igreja católica. Pretendia renová-la, torna-la mais próxima dos cristãos. Erasmo escreveu, em 1511, um livro chamado Elogio da Loucura. Naquele período, era muito perigoso confrontar abertamente a Igreja. Por isso, recorreu à Loucura, uma personagem que Erasmo utiliza para criticar os abusos da Igreja. Por ela ousar fazer tal crítica, Erasmo a chama de louca. Mas, como era o próprio Erasmo quem discordava dos rituais excessivos do catolicismo, ele a elogia. Anos depois. Erasmo escreveu o livro o Livre-arbítrio (1524), no qual fez uma defesa apaixonada da liberdade de consciência e de escolha. Disse que cada um deve ter o direito de pensar o que quiser, pois todo ser humano deve ser capaz de diferenciar o bem e o mal. Erasmo era um humanista. Acreditava no potencial do ser humano e na razão humana. A Igreja, porém, considerou seus livros perigosos e proibiu sua divulgação.

Thomas e a utopia: Os humanistas apostavam na capacidade criadora, na inteligência e na sensibilidade humanas. Isso quer dizer que tinham uma visão otimista do mundo? Em parte sim, em parte não. Esses pensadores demonstravam certo desconforto com o mundo. Lamentavam o rigor da Igreja, as injustiças sociais, as guerras permanentes e as tiranias. Sonhavam com um mundo novo. Essa inquietação e a esperança de uma realidade melhor resultavam no surgimento da literatura chamada utópica, na qual são imaginados lugares perfeitos onde reinam a paz, a justiça, a liberdade e a fartura. Em 1515, o inglês Thomas More escreveu a obra Utopia, na qual descreve uma ilha imaginária, situada na América recém-descoberta, onde prevaleciam a igualdade e a tolerância: uma sociedade perfeita.

Texto 6: A revolução científica

O renascimento plantou a semente de uma revolução científica que floresceu no século XVI e, principalmente, no XVII. Basta lembrar de alguns desenhos de Leonardo da Vinci, como o planador.

Copérnico e o heliocentrismo: Um dos avanços científicos mais importantes do século XVI foi a teoria heliocêntrica ou heliocentrismo, defendida pelo polonês Nicolau Copérnico. Segundo essa teoria, o corpo celeste que se encontra no centro do Universo é o Sol, ao redor do qual gira um sistema de planetas, incluída a Terra. O heliocentrismo contrariava a doutrina católica baseada no geocentrismo. De acordo com essa teoria, o centro do Universo é ocupado pela Terra, ao redor da qual giram todos os corpos celestes, incluindo o Sol. A doutrina católica estava baseada no pensamento do filósofo grego Aristóteles, que defendia que a Terra era o centro do Universo. Copérnico defendeu o heliocentrismo em 1543 no livro Da revolução das esferas celestes. Mas, por contrariar a doutrina da Igreja, essa teoria foi condenada. Alguns cientistas e filósofos, entretanto, estudaram a obra de Copérnico e se entusiasmaram com seu pensamento.

Galileu e a Inquisição: Um dos cientistas que estudaram a teoria heliocêntrica de Copérnico foi Galileu Galilei (1564-1642). Ele não se contentou apenas em desenvolvê-la. Buscou sua comprovação nas observações que fez dos corpos celestes com uma luneta astronômica. Publicou suas descobertas no livro O mensageiro das estrelas, em 1610. Retomou, ali, a teoria heliocêntrica, defendendo que o sistema composto de poeira cósmica e de bilhões de estrelas, umas vivas, outras apagadas. A galáxia ficou conhecida com Via Láctea. Contrariada, a Igreja católica advertiu Galileu Galilei, em 1616, exigindo que ele se desmentisse. Galileu se recursou e, por isso, foi preso pela Inquisição. Posteriormente, para escapar da morte na fogueira, disse publicamente que estava errado. Morreu infeliz, com quase 80 anos.

Texto 7: Razão e ciência

A revolução científica avançou no século XVII, apesar das perseguições da Igreja católica. Foi inspirada pelo racionalismo filosófico, um sistema de pensamento que, sem negar a existência de Deus, buscava a fundamentação do conhecimento na razão humana. O francês René Descartes é considerado o pai do racionalismo moderno. Um de suas principais obras foi publicada em 1637 com o título Discurso sobre o método. É dele a famosa frase “Penso, logo existo”. Outro pensador da época que revolucionou o pensamento científico foi o inglês Isaac Newton. No livro Principia (1686), Newton se propôs a explicar por que os corpos e os objetos caem. Segundo sua teoria, todos os objetos da Terra são suficientemente pesados para serem atraídos pela força do planeta. A origem da descoberta é uma lenda: Newton estaria sentado ao pé de uma macieira quando caiu sobre sua cabeça uma maçã madura. Ele percebeu que a Terra possuía uma força de atração sobre os corpos: a Lei da gravidade. Com essa descoberta, Newton foi considerado o pai da Física. A revolução científica do século XVII deve muito ao Renascimento. Leonardo da Vinci idealizou um planador no século XVI, mas não soube fazê-lo voar. Isaac Newton nunca foi artista, mas percebeu que corpos no ar estavam condenados a cair, sem uma força que os mantivesse no alto. Mas, ambos tinham algo em comum: achavam que as respostas não podiam ser dadas pela religião.