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quinta-feira, 20 de julho de 2017

Projeto: Memória e História Ambiental do Município do Rio Grande, Estado do Rio Grande Sul

Bread Soares Estevam*


Justificativa 

Com o advento da sociedade e da cultura moderna no final do século XV e a consolidação do modo de vida capitalista nos séculos XVIII e XIX, através de suas várias formas, desde o capitalismo comercial, sob a política econômica do mercantilismo e/ou liberalismo, até o atual capitalismo industrial, sob a política econômica estatal-desenvolvimentista, estatal-socialdemocrata e/ou neoliberal, acentuaram-se, intensamente, as ações de transformação da natureza (PRADO, 2005, p. 85). Convivemos num contexto de crise ambiental de repercussão planetária. E esse paradigma de crise é gerado pelo atual modo de vida. São numerosas as dificuldades que se apresentam. E, para refletir a resolução dos problemas que vivenciamos, devemos pensar sobre as permanências e transformações do modelo de vida capitalista, na longa duração do processo histórico baseado no embate entre classes sociais e suas relações de insustentabilidade com a natureza, para assim criar projetos de ação para convertê-lo num modo sustentável e equitativo de organização societária. Dentro deste contexto, alguns problemas de poluição global, como o efeito estufa, a diminuição da camada de ozônio, as chuvas ácidas, a perda da biodiversidade, os dejetos lançados em rios e mares, entre outros, nem sempre são observados, medidos ou mesmo sentidos pela humanidade, eles se tornaram um padrão cultural aceitável.
Também, a concentração de gás carbônico gerado pela nossa matriz energética na atmosfera, oriunda da queima de combustíveis fósseis (derivados do petróleo) e emissões industriais diminuem o percentual da radiação que a Terra deve refletir para o espaço. O calor da radiação fica preso na atmosfera provocando o aumento da temperatura terrestre, ou seja, gerando o “Aquecimento Global”. Além disso, a elevação da temperatura terrestre está provocando mudanças climáticas já sentidas e vistas a “olho nu”. Os efeitos da mudança climática acarretam no crescente aumento do nível do mar gerador de inundações das áreas litorâneas e instabilidade do clima e mutação nos ecossistemas. Basta ver algumas mudanças no ambiente da praia do Cassino. Vemos a maré muito perto das dunas, o gramado germinando na beira-mar e o barro que é resultado da dragagem do canal do porto. Outros problemas ambientais sérios que vivemos em Rio Grande (RS) são os resíduos sólidos, os dejetos industriais, emissões atmosféricas e os efluentes líquidos. Em função de termos um potente Distrito Industrial, Porto com fluxo de navios com produtos altamente tóxicos, indústria naval, Comércio e uma população que vem crescendo nos últimos anos, que se tornaram geradores e acumuladores de dejetos industriais e lixo. Tendo em vista, que o modelo industrial riograndino têm sua origem de longa data e está localizado numa zona de ecossistema costeiro, a disciplina de História têm totais condições de trabalhar a história ambiental da relação sociedade e natureza no processo histórico de desenvolvimento econômico e social local. Distinta inquietação é a falta de saneamento básico que está entre os problemas ambientais mais graves, provocando várias doenças infecto- contagiosas e grande mortalidade infantil. Nosso esgoto é despejado no mar e no Saco da Mangueira, zonas ecológicas de valor ecossistêmico incalculável. O resultado dessas práticas é um cenário de pobreza e degradação socioambiental nas regiões periféricas do município, responsável por níveis muito baixos de qualidade de vida para maior parte da população. Isso é notado em regiões onde há muita concentração de renda, como é o caso do Rio Grande. Os problemas ambientais que enfrentamos refletem uma situação de interdependência entre fenômenos ligados à disponibilidade de recursos e à degradação ambiental. A situação é ainda mais grave quando levamos em conta as condições desiguais de acesso aos recursos seja por razão econômica ou 
pela falta de tecnologias adequadas. As desigualdades nas condições de acesso, transformação e consumo de recursos estão na origem de vários conflitos entre países do Norte e do Sul do planeta. A crise ambiental é complexa repercutindo em várias instâncias, inclusive em Rio Grande (RS). Sabendo disso, sugerimos o projeto “Memória e História Ambiental do Município do Rio Grande, Estado do Rio Grande Sul” que terá como ambiente de aplicação o 7º ano da Escola Municipal do Ensino Fundamental Helena Small. Nesse sentido, o projeto irá contemplar as prerrogativas e está embasado no Programa Nacional de Educação Ambiental (ProNEA) (2003, p. 5), quando este afirma que: 

[...] as estratégias de enfrentamento da problemática ambiental, para surtirem efeito desejável na construção de sociedades sustentáveis, envolvem uma articulação coordenada entre todos os tipos de intervenção ambiental direta, incluindo nesse contexto as ações em educação ambiental ( (PRONEA) Programa Nacional de Educação Ambiental. Governo Federal [Ministério do Meio Ambiente e Ministério da Educação], 2003. p: 5). 


A partir disso, o projeto “Memória e História Ambiental do Município do Rio Grande, Estado do Rio Grande Sul” tem como principais justificativas para sua execução: ser uma iniciativa voltada aos estudos sobre as questões socioambientais, enfatizando a dimensão ético-estética, o desenvolvimento humano e sistêmico e a compreensão da interligação dos espaços ambientais, da saúde coletiva e da qualidade de vida dos sujeitos e das instituições e organizações sociais. Visará à participação e o comprometimento dos alunos nos processos pedagógicos e práticos acerca do estudo sobre o manejo de ecossistemas costeiros em busca da reflexão sobre a construção coletiva de sociedades sustentáveis. Promoverá a reflexão sobre a defesa de bens e direitos sociais, coletivos e difusos relativos ao meio ambiente, ao patrimônio cultural, aos direitos humanos e dos povos, a construção da identidade do sujeito histórico e ecológico para uma cidadania ambiental. Promoverá a construção de projetos e ações que visam atividades educativas, bem como o estimulo a pesquisa e atividades relativas ao ambiente construído e natural. Portanto, notamos três aspectos relevantes no desenvolvimento do projeto “Memória e História Ambiental do Município do Rio Grande, Estado do Rio Grande Sul”: a relevância educacional (formação de alunos conscientes, críticos e informados acerca da problemática ambiental), a relevância social (formação da identidade do sujeito histórico e ecológico para uma cidadania ambiental) e a relevância ambiental (conscientização para a conservação socioambiental e para implantação de um projeto político pedagógico de educação ambiental que vise à construção de valores para a inauguração de uma sociedade sustentável).
Objetivos 

 Tendo como parâmetro o exposto acima, Almeida et. al. (2008) sugere alguns objetivos e eixos temáticos que podem ser trabalhados na disciplina de História que seguem os imperativos da Educação Ambiental, que são: 

- Problematizar os modos de uso do território, discutindo o ambiente urbano e rural e discutir os processos de urbanização e seus desafios na contemporaneidade no contexto do debate sobre sustentabilidade. - Compreender a importância da ampliação do conceito de qualidade de vida para as atuais sociedades e sua relação com o direito a um ambiente familiar e comunitário sustentável e participar das discussões sobre a necessidade de criação de indicadores que incluam as variáveis temporais e ambientais para medir desenvolvimento humano e qualidade do ambiente, enriquecendo a análise e ações educativas sobre a qualidade de vida e a riqueza de uma sociedade. - Introduzir a discussão sobre as medidas de sustentabilidade, definir os conceitos da capacidade de suporte, espaço ambiental, pegada ecológica e linha da dignidade, bem como indicar sua aplicação na avaliação dos impactos das sociedades humanas no planeta e perceber a relação entre disponibilidade de elementos naturais e custo ambiental dos padrões sociais de produção e consumo na perspectiva da sustentabilidade. - Introduzir conceitos de política e democracia, conhecer as diversas formas de democracia e suas relações com a participação e a prática da cidadania. - Compreender como a temática ambiental inova e amplia o debate em torno dos direitos e deveres dos cidadãos e inaugura um novo espaço de responsabilidade ética. - Apresentar a noção de justiça ambiental, conceito forjado no âmbito de lutas sociais por equidade social e ambiental, como um parâmetro para a construção de práticas educativas que orientem a construção de uma sociedade sustentável. 


A partir dos objetivos expressos acima, concebemos a História Ambiental como a forma de o historiador e o professor de História desenvolver projetos de Educação Ambiental. Nesse sentido, essa se expressa como um campo de diálogos e embates, saberes e práticas, princípios e valores que remetem a um projeto político pedagógico de educação que visa à transformação da sociedade em níveis, econômico, político, cultural, social, educativo e histórico, visando construir uma sociedade nos seguintes pilares: desenvolvimento econômico solidário, justiça social e equitativa, preservação e conservação do patrimônio histórico-ambiental e espiritualização das representações humanas acerca da concepção de natureza. Dentro dessa diretriz, os objetivos e as práticas educativas resultantes da Educação Ambiental aqui relatada priorizam a abordagem dos aspectos socioculturais e político-econômicos, inerentes à questão ambiental, buscando o desenvolvimento de uma consciência crítica, comprometida com um projeto de transformação e emancipação das sociedades humanas suplantando o atual modo de vida. Enfim, a História Ambiental é a forma de os historiadores ambientais e professores de História (educadores ambientais do campo da História) fazerem educação ambiental, isto é, pensamos que, a tarefa dos projetos de ensino de História Ambiental é desenvolver nos alunos uma consciência histórica ambiental. 

Atividades 

De acordo com o Programa Nacional de Educação Ambiental (2005), Parâmetros Curriculares Nacionais (1997) e estudiosos do campo educativoambiental tais como, Loureiro (2006), Tozoni-Reis (2008), Reigota (1994), Guimarães (2004), Carvalho (2011) e outros, a Educação Ambiental não se configura como uma disciplina do conhecimento, pelo contrário, a Educação Ambiental se configura como um projeto político pedagógico que deve orientar as atividades escolares e estar presente em todas as disciplinas do conhecimento. Como nossa formação e atuação é na docência de História, propomos práticas pedagógicas de Educação Ambiental e escolarização através da disciplina de História tendo como balizador o campo de ensino e pesquisa que se denomina como História Ambiental. 
Atualmente, a História Ambiental tem ocupado significativo espaço nas escolas e universidades brasileiras. Esse campo de pesquisa histórica e ensino é influenciado pelas preocupações e debates sobre a necessidade de preservação e conservação do ambiente, e já dispõe de consistentes bases teóricas e metodológicas, podendo, assim, contribuir à construção e consolidação do campo de ensino orientado pela Educação Ambiental. Os profissionais de História, já, há algum tempo, vêm sendo convidados a ampliarem o seu campo de estudo, possibilidades de análise e ensino, por meio da abordagem dos temas ambientais, cujos desafios têm despertado grande interesse na contemporaneidade (GERHART & NODARI, 2010, p. 57).  A História Ambiental surgiu da necessidade de uma maior politização do ensino e da pesquisa histórica frente às crises provocadas pelo modelo de sociedade industrial e capitalista. Tal postura relaciona-se com as ideias de Lucien Febvre e outros historiadores da conhecida revista francesa dos Annales, quando afirmam que os historiadores e os professores de História não estão isolados do seu contexto e frequentemente estudam e ensinam sobre o “tempo pretérito”, baseados nas principais questões e dilemas que emergem no presente (PÁDUA, 2010, p. 81). Dessa forma, observamos que o ensino de História e os livros didáticos da disciplina ainda carecem de práticas educativas que exercitem o pensar histórico do ser humano e da vida humana dependentes da natureza para viver. Conforme Pádua (2010, p. 92 – 93), o “grande desafio teórico, no contexto da contemporaneidade, é pensar o ser humano na totalidade tensa e complexa de suas dimensões biológica e sociocultural”. Fruto da experiência de diversos historiadores (educadores ambientais do campo da História) que têm trabalhado com o enfoque ambiental, é a necessidade de buscar formas menos dualistas de análises dos estudos relativos à sociedade e a natureza. De acordo com Arruda (2008, p. 156), a principal tarefa da História Ambiental consiste em buscar as permanências e mudanças significativas ocorridas nas intervenções da sociedade sobre o ambiente, estratégia que nos permite compreender o significado da Natureza na história humana e vice versa. Para os professores de História e os historiadores (educadores ambientais do campo da História), de um modo geral, o conceito fundamental e orientador de qualquer análise e prática educativa em História é a categoria 
Tempo. Esse conceito é primordial para a identidade de uma análise histórica e uma prática pedagógica seja ela qual for. Nesse sentido, não poderia ser diferente no campo da história ambiental. Para o historiador ambiental, segundo Drummond (1991, 177), “em especial, o tempo é um crucial fio condutor das mudanças e continuidades que lhe propiciaram os seus objetos de estudo, quando não os seus conceitos”. Pensar as temporalidades é um instrumento básico do ofício de historiador e do professor de História. Drummond argumenta que o tempo das sociedades e culturas da humanidade está contido num tempo geológico ou natural. O autor diz que esse tempo não pode ser ignorado pelas ciências sociais em suas práticas de ensino e pesquisa. De acordo com ele, “a questão do tempo não é banal para iniciar um artigo sobre e/ou atividades de ensino de história ambiental. Afinal, as ciências sociais ficaram à margem dessas novas dimensões de tempo geológico”. O autor argumenta que, as sociedades humanas foram categorizadas e analisadas, principalmente a sociedade moderna, obedecendo apenas à referência do tempo cultural de alguns milênios. “Para os clássicos das ciências sociais e humanas, as sociedades humanas estavam, portanto, fora ou acima da história natural, ou do “tempo geológico” adotado a duras penas no estudo dos fatores vivos e mortos na natureza” (DRUMMOND, 1991, p: 179).  A história ambiental é, em resumo, para Donald Worster (1991, p. 198), parte de um empenho revisionista para volver a disciplina da História muito mais inclusiva nas suas narrações e práticas de ensino do que ela tem tradicionalmente sido: 

Acima de tudo, a história ambiental rejeita a premissa convencional de que a experiência humana se desenvolveu sem restrições naturais, de que os humanos são uma espécie “supranatural”, de que as consequências ecológicas dos seus feitos passados podem ser ignoradas. A velha história não poderia negar que vivemos neste planeta há muito tempo, [...], pôr desconsiderar quase sempre esse fato, portou-se como se não tivéssemos sido e não fôssemos realmente parte do planeta. Os historiadores ambientais, por outro lado, perceberam que não podemos mais nos dar ao luxo de sermos tão inocentes (WORSTER, 1991, p. 199). 


 A partir das premissas supracitadas Donald Worster (1991, p. 5), difundiu a ideia de que há três níveis de questões que a história ambiental enfrenta nas 
suas práticas de ensino e pesquisa e que sugerimos para as práticas educativas do ensino de História nos anos finais do ensino fundamental, que são: 

➢ O primeiro trata do entendimento da Natureza propriamente dita, tal como se organizou e funcionou no passado; ➢ O segundo nível introduz o domínio socioeconômico na medida em que este interage com a natureza física, preocupando-se com as ferramentas e o aparato técnico disponível, com as relações sociais que brotam do trabalho, com os diversos modos criados pelos povos para produzir bens a partir de recursos naturais; ➢ Por fim, formando uma terceira vertente de ensino e análise para o professor de História e o historiador (educadores ambientais do campo da História), vem aquele tipo de interação mais intangível e exclusivamente humano, puramente mental ou intelectual, no qual imaginários, percepções, valores éticos, leis, mitos e outras estruturas de significação se tornam parte do diálogo de um indivíduo ou de um grupo com a Natureza. 

É bom lembrar que, como ressalta esse autor, embora possamos, para efeito de clareza, distinguir esses três níveis de ensino e pesquisa da história ambiental, eles constituem uma investigação única e dinâmica, na qual Natureza, organização social e econômica, pensamento e desejo são tratados como um todo que muda conforme as dinâmicas das sociedades e das naturezas, numa dialética que atravessa o passado (espaço de experiência [tese]), o presente (participação; ação; intervenção [antítese]) até projetar o futuro (horizonte de expectativa [síntese]). Tecendo considerações sobre as formas teórico-metodológicas de ensino e pesquisa que orientam a construção de um trabalho de história ambiental, José Augusto Drummond elaborou cinco características de planejamento e práticas educativas para laborar naquele campo, que são: 

➢ A primeira característica diz respeito a uma análise que centraliza sua pesquisa e prática educativa numa região com alguma homogeneidade e/ou identidade cultural. Pode ser um território árido, o vale de um rio, uma 
ilha, uma floresta, uma parte do litoral. Essa linha de atuação situa-se bem próxima de uma história natural. 

➢ A segunda característica que orienta os trabalhos educativos no campo da história ambiental é o diálogo com todas as ciências naturais. Conforme Drummond (1991, p. 181), 

[...] esses estudos se afastam da tradição humanista das ciências sociais, inclusive da história regional. Usam textos básicos e avançados de geologia (inclusive solos e hidrologia), geomorfologia, climatologia, meteorologia, biologia vegetal e animal e ecologia (a ciência da interação entre os seres vivos e entre eles e os elementos inertes do ambiente). 


➢ Uma terceira possibilidade de atuação dos professores de História e dos historiadores ambientais (educadores ambientais do campo da História) é centrar suas análises e práticas educativas na interação entre o quadro de recursos naturais “úteis e inúteis” e os modelos civilizatórios das sociedades humanas. “As ciências naturais contribuem na identificação do conjunto de recursos naturais disponíveis no território de uma sociedade” (DRUMMOND, 1991, p. 181-182). Essa linha de ensino e pesquisa aproxima-se do campo da gestão ambiental no sentido de trazer a possibilidade de fazer o mapeamento dos recursos que podem ser, ou não, utilizados em prol de um desenvolvimento econômico de um país ou região. 

➢ A quarta característica enunciada por Drummond dá importância aos professores de História e aos historiadores ambientais (educadores ambientais do campo da História) que valorizam as fontes, nosso caso. Fontes pertinentes aos estudos das relações entre sociedade e natureza no seu respectivo ambiente. Conforme Drummond (1991, p. 182), pode “ser usadas às fontes tradicionais da história econômica e social censos populacionais, econômicos e sanitários, inventários de recursos naturais, imprensa, leis e documentos governamentais, atas legislativas e judiciárias, crônicas”. Nessa linha de pesquisa, o docente de História e o historiador, se encontram com fontes já conhecidas, mas utiliza-se o olhar 
do educador ambiental para analisá-las. De acordo com José Augusto Drummond (1991, p. 183): 

Os historiadores ambientais usam também memórias, diários, inventários de bens, escrituras de compra e venda de terras, testamentos. Usam descrições de dietas, roupas, moradias, materiais de construção, mobiliários, ferramentas e técnicas produtivas, estudos sobre epidemias e doenças, projetos e memórias descritivos de obras (estradas, ferrovias, portos), listas de bens comercializados, romances, desenhos, pinturas – tudo enfim que permita ver (a) quais os recursos naturais são locais e quais são importados, (b) como eles são valorizados no cotidiano das sociedades e (c) que tecnologias existem para o seu aproveitamento. 


➢ E, por fim, outra característica da história ambiental é o trabalho de campo. Nessa linha de ensino e pesquisa, os professores de História e os historiadores (educadores ambientais do campo da História) vão a campo pesquisar e observar as paisagens naturais, flora, fauna, clima, ecologia, marcas rurais e urbanas que a cultura humana deixa nesses locais. “Evidentemente podem aproveitar para explorar fontes locais: entrevistar moradores antigos, consultar arquivos e cientistas que trabalham na região” (DRUMMOND, 1991, p. 183). A partir desse referencial de atividades construiremos um diário das memórias de campo com os alunos para, assim, depois das atividades construir a escrita coletiva de um livro da turma sobre as memórias e história ambiental do município do Rio Grande Estado do Rio Grande do Sul. 

➢ A partir das pesquisas e das atividades educativas desenvolvidas construir um Laboratório de História e Meio Ambiente na escola tendo como objetivo a produção de textos, áudios e vídeos. Para a publicação desses materiais a turma deve ter seu blog e canal no you tube. 

Fontes 

➢ Diário de memórias de campo; ➢ Jornais antigos e atuais do município; ➢ Fotos retiradas pelos alunos nas saídas de campo; 
➢ Entrevista com lideranças da comunidade; ➢ Álbuns de fotografia; ➢ Internet (páginas sobre história local); ➢ Livro didático e bibliografia de história local. 

Avaliação 

➢ Apresentação do diário individual e a escrita do livro coletivo da turma no final do bimestre. 

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*Bacharel em História pela Universidade Federal do Rio Grande (2008), Especialista em Educação Ambiental área de conhecimento Educação Profissional pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial Unidade de Educação à Distância do Rio Grande do Sul (2009), Mestre em Educação Ambiental área de concentração Educação pela Universidade Federal do Rio Grande (2014), Licenciando em História pela Universidade Norte do Paraná (2017). Servidor Público no cargo de Professor de História na Secretaria de Educação e Cultura da Prefeitura Municipal de São José do Norte (2017). Servidor Público no cargo de Educador Social na Secretaria de Município de Cidadania e Assistência Social da Prefeitura Municipal do Rio Grande (RS) (2014). Fundador da Rede de Educação Social e Ambiental Livre e Criativa Comunica-Ação (2016). Escritor de Livros e artigos (2014).