terça-feira, 5 de maio de 2026

CULTURAS, POVOS E TERRITÓRIOS SOB A PERSPECTIVA DA HISTÓRIA AMBIENTAL E DA EDUCAÇÃO AMBIENTAL CRÍTICA

 Bread Soares Estevam1

ORCID: https://orcid.org/0000-0002-2121-1435


RESUMO


Neste artigo, exploro as complexas conexões entre culturas, povos e territórios, guiando-me pelo diálogo produtivo entre a História Ambiental e a Educação Ambiental Crítica, com base na produção acadêmica de Bread Soares Estevam. A metodologia adotada envolveu uma análise documental e interpretativa dos principais trabalhos do autor, buscando compreender de que modo essas categorias — cultura, povo e território — se articulam na luta pela justiça socioambiental e pela inclusão escolar em territórios historicamente vulneráveis. Os resultados sugerem que uma compreensão ampliada de território, quando aliada ao reconhecimento da diversidade cultural e à valorização do protagonismo dos povos, pode embasar práticas educativas transformadoras, além de inspirar políticas públicas voltadas para a consolidação da democracia socioambiental.


Palavras-chave: História Ambiental; Educação Ambiental Crítica; Culturas; Povos; Territórios.


1. INTRODUÇÃO


Vivemos tempos marcados pela intensificação das crises ambientais e sociais, o que nos obriga a buscar outras leituras e reinventar os caminhos da Educação. Diante desse contexto, destaca-se o diálogo entre História Ambiental e Educação Ambiental Crítica como possibilidade de fomentar práticas pedagógicas comprometidas não somente com a superação de compreensões restritas e tecnicistas, mas também com o reconhecimento dos sujeitos e territórios que, ao longo da história, foram marginalizados. Pesquisas recentes (Estevam, 2017) chamam atenção para a importância de articular múltiplos saberes e perspectivas, valorizando culturas, comunidades e o território enquanto espaço de sentido, resistência e disputa.

No Brasil, as desigualdades socioambientais atravessam questões étnico-raciais, de classe, gênero e geração, o que demanda uma atenção aprofundada sobre os processos educativos, sejam eles formais ou não-formais. O território, nesse contexto, deixa de ser apenas uma delimitação físico-geográfica, passando a ser entendido como espaço vivido, socialmente construído e politicamente disputado. Já a cultura, mais do que um conjunto de tradições folclóricas, se revela como matriz de práticas, narrativas e identidades — protagonizadas por indígenas, quilombolas, ribeirinhos e populações periféricas.

Com esse pano de fundo, este artigo se propõe a investigar, a partir das contribuições escritas acadêmicas de Bread Soares Estevam, como a interlocução entre História Ambiental e Educação Ambiental Crítica pode favorecer a valorização de culturas, povos e territórios, promovendo práticas pedagógicas emancipatórias e fortalecendo políticas públicas ancoradas na justiça socioambiental e na inclusão.


2. METODOLOGIA


A pesquisa adotou uma abordagem qualitativa de caráter documental e interpretativo. Foram selecionadas três obras-chave de Bread Soares Estevam: sua tese de doutorado (2023), dissertação de mestrado (2013), além do artigo científico publicado na Revista do Lhiste (2017). Essas escolhas se justificam pela centralidade na sistematização teórico-metodológica da interface entre História Ambiental e Educação Ambiental Crítica, além de oferecerem análises detalhadas sobre as interações entre culturas, povos e territórios em contextos marcados por vulnerabilidade e exclusão socioeducacional.

No percurso analítico, priorizei a identificação e categorização dos conceitos-chave presentes nas obras, a descrição crítica das práticas educativas e políticas ali observadas, bem como a articulação desses achados com debates do campo científico e orientações das políticas públicas. Todo o processo se baseou no reconhecimento da autoria, na fidedignidade do material e no rigor interpretativo, evitando qualquer forma de invenção ou distorção.

No que diz respeito ao suporte tecnológico, foi utilizado o recurso da Inteligência Artificial, com destaque para a plataforma Athenas AI. Essa ferramenta, empregada de maneira exclusiva, oferece diferentes funcionalidades relevantes para o contexto acadêmico, como revisão de textos, detecção de plágio, humanização e escrita inteligente. Sua aplicação no processo de pesquisa trouxe ganhos especialmente na organização do corpus textual, no aprimoramento linguístico e na verificação da originalidade das produções (Camargo; Justo, 2018).

É importante enfatizar que o uso dessas tecnologias ocorreu de forma ética e sempre como complemento ao trabalho do pesquisador. Em nenhum momento a análise crítica ou as decisões metodológicas foram delegadas à ferramenta digital. Após o uso da plataforma, todos os materiais passaram por uma revisão criteriosa, realizada pelo próprio pesquisador, assegurando precisão, coesão argumentativa e absoluta aderência ao escopo acadêmico, conforme as recomendações éticas vigentes para pesquisas em Educação Ambiental.

Por fim, cabe reforçar um ponto fundamental: é o pesquisador humano quem detém a verdadeira “inteligência criativa” por trás de qualquer solução tecnológica. Sem a compreensão crítica, a sensibilidade e o rigor metodológico do pesquisador, não se constrói conhecimento científico capaz de ser, ao mesmo tempo, reflexivo, democrático, transformador e emancipador.


3. RESULTADOS


A leitura das obras de Estevam (2013; 2017; 2023) mostra que a perspectiva crítica da Educação Ambiental, fortalecida por diálogos com a História Ambiental, se revela um instrumental poderoso para compreender e enfrentar processos de exclusão social e ambiental no Brasil — especialmente em territórios historicamente subalternizados. O autor propõe compreender o território sob uma lógica ampliada, que abarca dimensões simbólicas, afetivas, políticas e ecológicas, para além do simples espaço físico.

Segundo Estevam (2023), defender o território é indissociável da afirmação das culturas e identidades coletivas, o que é fundamental para viabilizar práticas pedagógicas verdadeiramente transformadoras. Povos indígenas, quilombolas, trabalhadores rurais, populações urbanas periféricas, jovens impedidos e/ou excluídos da escola — todos esses sujeitos trazem consigo experiências e resistências que desafiam as abordagens tradicionais da educação ambiental centradas em normas impessoais e soluções pretensamente universais. O que emerge é a necessidade de práticas situadas, abertas ao diálogo de saberes e à construção coletiva.

Outro aspecto relevante diz respeito ao papel das escolas — especialmente aquelas voltadas à Educação de Jovens e Adultos (EJA) — como agentes de transformação social e ambiental. Estevam (2023) argumenta que o espaço escolar, entendido ele próprio como território de disputa, pode tornar-se contexto de experiências pedagógicas inovadoras: currículos abertos à pluralidade, metodologias participativas, projetos intersetoriais e valorização dos saberes locais. Tais práticas funcionam como verdadeiras tecnologias sociais de enfrentamento à exclusão, potencializadas pela escuta e busca ativa, pelo engajamento dos educandos e pela articulação com movimentos sociais e comunitários.

Estevam (2023) destaca que práticas educativas territorializadas e críticas são peça-chave para a construção de políticas públicas inclusivas e democráticas, sobretudo quando estas reconhecem o peso da historicidade, da diversidade cultural e das necessidades concretas das populações envolvidas. Sua produção tem contribuído para pautar agendas intersetoriais que envolvem, de forma integrada, a educação, a assistência social, a cultura e o meio ambiente.


4. DISCUSSÃO


Os resultados confirmam que a articulação entre História Ambiental e Educação Ambiental Crítica, como defendido por Estevam (2017; 2023), propõe a superação do paradigma tecnicista dominante, frequentemente alheio à diversidade e à historicidade dos territórios populares. Sua análise evidencia como o silenciamento de vozes indígenas, quilombolas e do campo popular alimenta não apenas a persistência da exclusão escolar e social, mas também limita a criação coletiva de alternativas à crise ambiental e social civilizatória.

A valorização das culturas e dos povos, junto de uma compreensão ampla e profunda dos territórios, propicia o surgimento de práticas pedagógicas emancipatórias e políticas públicas sensíveis às realidades locais. Essa perspectiva potencializa a práxis pedagógica situada, impactando desde a Educação Básica e a EJA até a formação continuada de docentes, gestores escolares e lideranças comunitárias.

Entretanto, a consolidação dessas práticas encontra obstáculos consideráveis: vão desde dilemas na formação inicial e continuada dos professores, passando pela resistência dos sistemas educacionais à crítica e à diversidade, até problemas políticos e estruturais para integrar essas referências aos projetos pedagógicos institucionais. Persistem ainda lacunas no reconhecimento da Educação Ambiental Crítica como um direito democrático, um componente curricular e um eixo articulador das práticas intersetoriais.

Sugere-se, portanto, para futuras pesquisas e para a formulação de políticas, a realização de estudos empíricos sobre práticas de Educação Ambiental Crítica em diferentes territórios, a ampliação do intercâmbio com saberes tradicionais e populares, e o investimento consistente na formação continuada de educadores comprometidos com a superação das desigualdades. A criação e o fortalecimento de espaços institucionais de participação social e a promoção de políticas intersetoriais enraizadas nas territorialidades são igualmente fundamentais.


5. CONCLUSÃO


Este estudo, amparado na produção escrita acadêmica de Bread Soares Estevam, aponta que processos educativos orientados pela interface entre História Ambiental e Educação Ambiental Crítica são determinantes na valorização de culturas, povos e territórios, estimulando respostas emancipatórias para as várias faces das crises socioambientais brasileiras. A centralidade desses elementos, evidenciada tanto nos campos teórico quanto prático, oferece subsídios para o fortalecimento de propostas curriculares inovadoras, projetos de inclusão e políticas públicas fundamentadas na justiça socioambiental e no aprofundamento democrático.

Reforça-se a necessidade de investir fortemente na formação docente, fomentar o diálogo entre saberes acadêmicos e comunitários e desenvolver políticas públicas que reconheçam e respeitem a enorme diversidade cultural e territorial do país. A produção de Bread Soares Estevam permanece relevante para renovar práticas pedagógicas e promover sociedades justas, solidárias e comprometidas com a sustentabilidade.


6. REFERÊNCIAS


ATHENAS AI. Plataforma de inteligência artificial para apoio à escrita científica. [S.l.]: Athenas AI, 2026. Disponível em: https://www.athenasai.com/ . Acesso em: 04 maio. 2026.


Capítulo 3: Culturas, povos e territórios; In: GARCIA, Valquiria. SuperAção! Geografia: 8º Ano – Manual do Professor / Valquiria Garcia, Rogério Martinez, Vanessa Garcia. – 1 Ed. – São Paulo: Moderna, 2022.


ESTEVAM, Bread Soares. Contribuições da educação ambiental à tecnologia social de enfrentamento à exclusão escolar de crianças e jovens em idade escolar obrigatória. Tese (Doutorado em Educação Ambiental) – Universidade Federal do Rio Grande, Rio Grande, 2023.


ESTEVAM, Bread Soares. Da crise ambiental ao despertar da consciência ecológica: diálogos entre a História Ambiental e a Educação Ambiental. Revista do Lhiste, Porto Alegre, n. 6, v. 4, jan./dez. 2017.


ESTEVAM, Bread Soares. História, crítica e a Educação Ambiental sob o prisma das crônicas ecológicas da Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural no extremo sul do Brasil (1978-1981). Dissertação (Mestrado em Educação Ambiental) – Universidade Federal do Rio Grande, Rio Grande, 2013.


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1 Professor da SMEC/SJN-RS e SEDUC-RS, Mestre e Doutor em Educação Ambiental.

E-mail: breadestevam@furg.br

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