Bread Soares Estevam 1
ORCID: https://orcid.org/0000-0002-2121-1435
LATTES: http://lattes.cnpq.br/7304749861718939
RESUMO
Este artigo investiga a inter-relação dos lugares a partir das perspectivas da História Ambiental e da Educação Ambiental Crítica, ressaltando a importância dessas conexões para a compreensão das dinâmicas socioambientais contemporâneas. Baseado na análise crítica da literatura e em interpretações derivadas de pesquisas em Educação Ambiental, adotou-se uma abordagem qualitativa e interpretativa, explorando o território como um espaço vivo, marcado por conflitos, memórias e práticas sustentáveis. Os resultados evidenciam que os lugares são redes complexas que atravessam dimensões históricas, culturais e ambientais, configurando-se como ambientes relevantes para o desenvolvimento de práticas educativas transformadoras e emancipatórias. Por fim, discute-se o papel crucial da Educação Ambiental Crítica na construção da consciência ecológica e na promoção da justiça socioambiental, indicando caminhos para sua aplicação em diferentes contextos educacionais.
Palavras-chave: lugares; história ambiental; educação ambiental crítica; territorialidade; práticas educativas.
1. INTRODUÇÃO
O conceito de lugar tem ganhado crescente relevância nas Ciências Humanas e nos debates sobre Educação Ambiental e História Ambiental, superando abordagens puramente geográficas ou territoriais para evidenciar as múltiplas relações sociais, culturais e ambientais que estruturam os espaços humanos. Sob a lógica da História Ambiental, os lugares são compreendidos como construções situadas historicamente, que incorporam memórias, conflitos e as complexas interações entre o humano e o ambiente natural (Estevam, 2013; Théry; Mello, 2005).
Paralelamente, a Educação Ambiental Crítica destaca o potencial dos espaços educativos para fomentar a consciência ecológica e viabilizar processos de transformação social, integrando saberes científicos, locais e tradicionais (Estevam, 2017, 2023).
Entretanto, observa-se ainda uma lacuna na articulação integrada entre a dimensão histórica e a perspectiva crítica da educação ambiental na análise das relações estabelecidas entre os lugares. A fragmentação disciplinar persistente dificulta uma compreensão aprofundada dos territórios como redes interconectadas que envolvem natureza, cultura e relações de poder. Esse cenário reforça a necessidade de estudos que aprofundem o diálogo entre História Ambiental e Educação Ambiental, permitindo apreender os lugares enquanto espaços vivos de relações socioambientais.
O problema central que orienta esta pesquisa é compreender como os lugares se relacionam a partir da interface entre História Ambiental e Educação Ambiental Crítica, e de que modo esse entendimento pode subsidiar práticas pedagógicas capazes de enfrentar os desafios sociais e ambientais atuais. Assim, o artigo tem como objetivo analisar as relações entre lugares, apoiando-se no referencial teórico dessas áreas, para destacar as contribuições dessa aproximação para o ensino de História e Geografia e para a formulação de políticas educativas coerentes.
Os objetivos específicos são: (1) conceituar os lugares a partir dos aportes da História Ambiental; (2) discutir a Educação Ambiental Crítica como ferramenta para problematizar e transformar as relações nos lugares; (3) identificar as dinâmicas que inter-relacionam territorialidade e identidade sob essas perspectivas; e (4) propor reflexões pedagógicas que conectem teoria e prática no âmbito da educação formal.
2. METODOLOGIA
O presente estudo caracteriza-se como pesquisa qualitativa, exploratória e interpretativa, desenvolvida por meio de análise documental e bibliográfica crítica. Essa abordagem foi escolhida por sua adequação para investigar fenômenos sociais complexos que exigem compreensão contextualizada e interdisciplinar (Estevam; Santos Ferreira; Freitas, 2024).
A amostra documental compôs-se de obras relevantes nas áreas da História Ambiental e da Educação Ambiental Crítica, destacando publicações do autor Bread Soares Estevam (2013, 2017, 2023, 2024), complementadas por documentos institucionais da FUNAI (2006), manuais pedagógicos atuais (Garcias et al., 2022) e referências geográficas que subsidiam a análise da territorialidade (Théry; Mello, 2005).
A coleta de dados incluiu o levantamento das principais referências conceituais, metodológicas e empíricas sobre as relações dos lugares, seguido por análise temática, organizando os conteúdos em categorias interpretativas: histórico-ambiental, crítico-educativa e territorial. A análise considerou tanto a coerência interna dos textos quanto suas contribuições específicas e as possíveis interlocuções entre História Ambiental e Educação Ambiental Crítica.
Os aspectos éticos praticados envolveram o respeito aos direitos autorais, a fidelidade na transcrição das ideias dos autores e a ausência de manipulações indevidas dos conteúdos analisados. Além disso, a integridade acadêmica foi assegurada durante o processo. No âmbito tecnológico, utilizou-se a plataforma de Inteligência Artificial Athenas AI como ferramenta de suporte na revisão textual, detecção de plágio, humanização e aprimoramento da escrita. Ressalta-se que o uso foi complementar e ético, com o pesquisador mantendo total controle crítico e manual da análise e redação final, conforme as normativas éticas da área de Educação Ambiental.
3. RESULTADOS
3.1. Lugares na História Ambiental: construções socioambientais e temporais
A História Ambiental compreende os lugares como territórios que emergem da interação histórica entre sociedade e natureza, onde os conflitos ambientais refletem dinâmicas de poder e transformações sociais, conforme evidenciado nas análises de Estevam (2013, 2017). Essa abordagem revela como a memória ecológica se entrelaça com práticas culturais, configurando sentidos que atravessam gerações e desafiam interpretações reducionistas dos ambientes naturais.
3.2. Educação Ambiental Crítica: práticas e consciências em relação aos lugares
No contexto educativo, a Educação Ambiental Crítica destaca-se como abordagem que problematiza as relações humanas com o ambiente, ampliando a compreensão sobre sua interdependência e promovendo práticas de empoderamento social (Estevam, 2023). Essa perspectiva enfatiza a necessidade de revelar as estruturas socioeconômicas responsáveis pela exploração ambiental e exclusão social, fomentando uma educação contextualizada e transformadora.
3.3. Relações entre lugares: territorialidade, identidade e práticas socioambientais
A articulação entre História Ambiental e Educação Ambiental Crítica possibilita a leitura dos lugares como redes entrelaçadas que abrigam múltiplas identidades e territorialidades. Reconhecer essa complexidade favorece abordagens pedagógicas que valorizam saberes locais e promovem críticas às desigualdades territoriais, potencializando a construção coletiva de memória e sustentabilidade (Théry; Mello, 2005; Estevam; Santos Ferreira; Freitas, 2024).
4. DISCUSSÃO
A integração das perspectivas da História Ambiental e da Educação Ambiental Crítica revela os lugares enquanto espaços dinâmicos, marcados por complexas relações socioambientais que desafiam abordagens tradicionais. Esse entrelaçamento teórico favorece o desenvolvimento de práticas educativas inovadoras, fundamentadas nas experiências territoriais e na problematização das realidades locais, conforme apontado por Loureiro (2006) e Estevam (2017). Tal articulação fortalece o papel da educação na construção de um saber crítico e emancipatório.
Entretanto, observa-se a presença de obstáculos para a implementação plena dessa abordagem pedagógica, entre eles a necessidade de formação continuada dos educadores, o enfrentamento de limitações institucionais e a superação das desigualdades estruturais que dificultam o acesso à educação escolar de qualidade.
Assim sendo, esses resultados corroboram as perspectivas encontradas nas pesquisas de Estevam (2024) e colaboradores, bem como nos documentos da FUNAI (2006), que ressaltam a importância de políticas públicas que reconheçam e valorizem a relação ancestral entre povos e territórios, um elemento essencial para o ensino crítico de História e Geografia fundamentado nos princípios geo-históricos da Educação Ambiental.
5. CONCLUSÃO
O estudo evidenciou a relevância de compreender os lugares a partir de uma perspectiva integrada entre História Ambiental e Educação Ambiental Crítica, apontando a complexidade das relações socioambientais e destacando tanto desafios quanto possibilidades para sua abordagem educativa. Ao propor uma interpretação crítica e contextualizada sobre os lugares como espaços de memória, conflito e identidade, contribui para o avanço do debate acadêmico e o aprimoramento das práticas pedagógicas de História e Geografia que buscam a justiça socioambiental e a sustentabilidade.
Por fim, recomenda-se a continuidade de pesquisas que explorem empiricamente essa interface, assim como o desenvolvimento de políticas educativas que estimulem a interdisciplinaridade e a participação ativa das comunidades nos processos de ensino-aprendizagem, garantindo a efetividade das transformações propostas. Nesse contexto, a educação se revela como ferramenta fundamental para a promoção de uma relação ética e sustentável entre os sujeitos e seus lugares.
6. REFERÊNCIAS
ATHENAS AI. Plataforma de inteligência artificial para apoio à escrita científica. [S.l.]: Athenas AI, 2026. Disponível em: https://www.athenasai.com/. Acesso em: 14 maio 2026.
ESTEVAM, Bread Soares. Contribuições da educação ambiental à tecnologia social de enfrentamento à exclusão escolar de crianças e jovens em idade escolar obrigatória. Tese (Doutorado em Educação Ambiental) – Universidade Federal do Rio Grande, Rio Grande, 2023.
ESTEVAM, Bread Soares. Da crise ambiental ao despertar da consciência ecológica: diálogos entre a História Ambiental e a Educação Ambiental. Revista do Lhiste, Porto Alegre, n. 6, v. 4, jan./dez. 2017.
ESTEVAM, Bread Soares. História, crítica e a Educação Ambiental sob o prisma das crônicas ecológicas da Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural no extremo sul do Brasil (1978-1981). Dissertação (Mestrado em Educação Ambiental) – Universidade Federal do Rio Grande, Rio Grande, 2013.
ESTEVAM, Bread Soares; SANTOS FERREIRA, W. L.; FREITAS, A. L. C. de. O emprego da História para edificação de possibilidades teórico-metodológicas ao campo ambiental. REMEA, v. 41, n. 1, p. 341–359, 2024. DOI: https://doi.org/10.14295/remea.v41i1.14539.
FUNAI - Fundação Nacional do Índio. Povos indígenas: terra é vida. 5. ed. São Paulo: Atual, 2006. Disponível em: https://www.gov.br/funai/pt-br/atuacao/povos-indigenas. Acesso em: 11 maio 2022.
GARCIAS, Valquiria; MARTINEZ, Rogério; GARCIA, Vanessa. SuperAção! Geografia: 6º Ano – Manual do Professor. 1ª ed. São Paulo: Moderna, 2022.
LOUREIRO, Carlos Frederico B. Trajetórias e fundamentos da educação ambiental. São Paulo: Cortez, 2006.
THÉRY, Hervé; MELLO, Neli Aparecida de. Atlas do Brasil: disparidades e dinâmicas do território. São Paulo: Edusp, 2005.
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